Criei este espaço com o intuito de trocar experiências, repassar os materiais que me ajudaram e que poderão ajudar outras pessoas. Além disso, repasso também tudo o que julgo interessante na net. Sejam bem vindos ao meu cantinho, Magia da Educação: com um pouco de carinho e dedicação, a magia acontece!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Big Bang de Laboratório

Muito já se fez na tentativa de explicar como se deu a origem do Universo. Teorias foram criadas e outras caíram por terra. Com a evolução das ciências surgiram novas teorias e novas tecnologias que cada vez mais buscam desvendar este intrigante mistério.
Cientistas de mais de cinquenta países, incluindo o Brasil, criaram o maior acelerador de partículas do mundo, denominado de LHC (sigla em inglês para Grande Colisor de Hándrons). Localizado entre a França e a Suíça ele é uma espécie de rodoanel para prótons, partículas que compõem o átomo e que caracterizam os elementos existentes no universo. Em seu interior contém poderosíssimos ímãs supercondutores que farão com que os feixes de partículas sejam acelerados até 99,99% da velocidade da luz. A ideia é fazer com que os feixes percorram em direções diferentes, fazendo com que eles se choquem à máxima velocidade. Os cientistas esperam, com essa colisão, simular o Big Bang, e acreditam que ela possa originar as partículas elementares criadoras do Universo. Todo esse trabalho é fruto de mais de 15 anos de estudos e pesquisas na tentativa de descobrir e desvendar os mistérios do Universo.
No dia 10 de setembro deste presente ano o LHC foi ativado. Com um custo de mais de 3 bilhões de euros, o LHC vai investigar profundamente a composição da matéria na busca de respostas que faltam para a explicação do surgimento do Universo. Esse gigantesco projeto espera simular o Big Bang, mas sem destruir o mundo, ao contrário do que muitos pensam. Quando começarem as primeiras colisões entre os prótons começará a busca frenética por uma partícula que os cientistas crêem ser a que deu origem a todo Universo. Essa partícula é denominada de bóson de Higgs. Esse acelerador de partículas possui uma potência que até então não se tinha visto, por esse motivo é que se acredita tanto que essa partícula possa ser encontrada e os mistérios desvendados.
O Brasil tem papel essencial nesse gigantesco experimento. Um grupo de cientistas liderado por Sérgio Novaes colaborou na pesquisa e execução deste gigantesco experimento. Eles colaboraram, por exemplo, na filtragem de dados e computação e em estudos de calorimetria, além de ajudarem na construção de circuitos para registrar os choques entre os prótons, choques esses que darão origem ao Big Bang. A cooperatividade e a colaboração nesse experimento talvez sejam os pontos principais, juntamente ao dinheiro, que possibilitaram a execução de um projeto tão grande como esse, pois nenhum país estaria disposto a gastar sozinho uma quantia tão exorbitante quanto a que foi gasta na execução desse experimento.

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Por que os pássaros não tomam choque em fios elétricos?

Quem nunca se deparou com pássaros sobre um fio elétrico e fez essa pergunta? Muitos de nós possivelmente já. Esse é um fato curioso e ao mesmo tempo intrigante, pois os pássaros podem pousar sobre fios elétricos sem levar choque, já os humanos não. Por que os pássaros podem e os seres humanos não podem realizar tal façanha? A resposta para essa pergunta está na distância entre os dedos das patas dos pássaros. Tal distância não é suficiente para que exista uma diferença de potencial, sendo assim eles não são eletrocutados. Com os seres humanos acontece diferente. Se um de nós resolver agarrar (com as duas mãos) um fio elétrico sem estar devidamente isolado, provavelmente será eletrocutado, pois a distância entre as mãos de uma pessoa é suficiente para que se possa gerar uma diferença de potencial (DDP).

Diferença de potencial é a razão entre a energia potencial por unidade de carga. A unidade é o volt, letra V, em homenagem ao físico italiano Alexandre Volta.

A corrente elétrica só provoca um choque quando a mesma entra por um lugar e sai por outro, gerando assim uma diferença de potencial entre os pontos por onde ela entrou e saiu. A distância que existe entre as patas dos pássaros, não dá possibilidade para que isso aconteça. No entanto, se ele por algum motivo se desequilibrar e encostar-se a qualquer outro objeto, ou até mesmo em outro fio, o mesmo será eletrocutado.  

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domingo, 30 de janeiro de 2011

A História dos Algarismos

Os números foram criados, ao longo da história, diante da necessidade do homem, pois precisavam de uma forma de representar as quantidades.
As primeiras representações numéricas apareceram em razão da necessidade de se fazer a contagem dos animais, por exemplo. Os pastores soltavam seu rebanho pela manhã e contavam esses animais através de pedrinhas que eram colocadas num saco. Para cada animal, usava-se uma pedrinha. Ao final do dia, ao buscar o rebanho, os pastores contavam de forma inversa, retirando do saco uma pedrinha para cada animal.

Contagem registrada em ossos e pedras
Nessa época existiam outras formas de representação numérica, como nós em cordas ou riscos feitos em ossos e pedras, sendo que cada região utilizava uma forma diferente.
O homem percebeu que precisava de uma forma única de representar essas quantidades, para facilitar o entendimento entre os diferentes povos.
Os egípcios foram um dos primeiros povos a criar um sistema de numeração.

Sistema de numeração dos povos egípcios
Os romanos também inventaram uma forma de contar as coisas, ou seja, o seu sistema de numeração, conhecidos como números romanos. Podemos encontrá-los até hoje, sendo usados na escrita dos séculos, em relógios, capítulos de livros, nomes dos papas, etc.

Algarismos romanos
Porém, os números que usamos foram criados pelos indianos, no Norte da Índia, em meados do século V da era cristã. As primeiras inscrições aparecem aproximadamente da forma como escrevemos. Descobriram as posições de se colocar os mesmos para formar os números maiores.
Mas foram os árabes que difundiram essa forma de contagem e por isso ficaram conhecidos como indo-arábicos, através de um grande matemático chamado al-Khwārizmī, que deu o nome aos mesmos de “algarismos”.

Por Jussara de Barros
Equipe Escola Kids:
http://www.escolakids.com/

PROJETO CONHECENDO O LIXO

FAIXA ETÁRIA: 6 ANOS
PERIODICIDADE: SEMANAL
ÁREA DO CONHECIMENTO: CIÊNCIAS
DURAÇÃO: 3 MESES

JUSTIFICATIVA


 Pretendemos com este trabalho, desenvolver nos alunos e conseqüentemente em todos do seu convívio, o interesse, a importância e a necessidade em realizar este tipo de coleta do lixo, tanto para posterior reciclagem do material,quanto para que este procedimento se torne instrumento de efetiva atuação local.

OBJETIVOS:

 Compreender que os problemas
ambientais interferem na qualidade de vida das pessoas;
 Possibilitar aos
alunos oportunidades para que modifiquem atitudes e práticas pessoais através da utilização do conhecimento sobre o meio ambiente, adotando posturas na escola, em casa e em sua comunidade que os levem a interações construtivas na sociedade;
 Conscientizar o aluno para a necessidade de pensar no problema
do lixo, nas formas de coleta e destino do mesmo, na reciclagem, nos comportamentos responsáveis de “produção” e “destino” do lixo, na escola, em casa e espaços em comum.

CONTEÚDOS:

 Manutenção e preservação dos
espaços coletivos e meio ambiente;
 Coleta seletiva de lixo;

 Reciclagem
de materiais;
 Estudo do meio.


RECURSOS E MATERIAS:

• Livros didáticos e paradidáticos sobre o assunto;
• Audiovisual sobre o lixo e a reciclagem;
• Lixeiras seletivas nas salas.

ETAPAS PREVISTAS:

 Roda de conversa para apresentação do
projeto; Compartilhar objetivos e produto final; Levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre o assunto através de questionamentos orais com registro (realizado pela professora) das informações levantadas;
 Livro de
história sobre reciclagem e registro (dos alunos) através de desenho – ½ folha de sulfite; Roda de conversa sobre o estudo do meio e necessidade da autorização dos pais para este passeio;
Estudo do meio
(passeio à praça); Registro do passeio através de um texto coletivo onde a professora desempenhará o papel de escriba;
 
Leitura do livro “COELHOS”; Colocação das lixeiras nas salas;
 Roda de conversa sobre
especificidades de cada lixeira para coleta seletiva; Recorte e colagem de cada tipo de material em sua respectiva lixeira;
 Roda de conversa sobre a
coleta seletiva em espaços da escola (lanche, secretaria, sala de aula, cozinha...); Coleta seletiva no lanche;
Texto coletivo sobre a coleta
seletiva do lixo;
 Audiovisual com debate;

 Trazer um material de casa
“limpo” para ser reciclado na escola – colocação nas respectivas lixeiras;
 Apreciação dos registros com
fotos e desenhos; Montagem do painel;
 Apresentação do resultado do projeto
para as outras turmas.




sábado, 29 de janeiro de 2011

trecho de um ensaio de Hellen Keller (conferencista e escritora surdo-cega)

Sem poder enxergar nem ouvir o mundo, Helen Keller inventou formas de o ver e sentir, e de com o mundo dialogar intensamente, para aperfeiçoá-lo. Cega e surda desde bebê, ela viveu 88 anos (1880-1968). Aprendeu a ler, a escrever e a falar, diplomou-se com louvor, em 1904, pelo Redcliffe College (Cambridge) e tornou-se conferencista e escritora de referência, autora dos livros A história de minha vida (1903) e O diário de Helen Keller.

Vale a pena aprender com ela.


Modos de cegueira

O ensaio publicado na Seleções começa assim:

“Várias vezes pensei que seria uma benção se todo o ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias, no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão, e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.”

“De vez em quando”, continua, “testo meus amigos que enxergam, para descobrir o que eles veem. Há pouco tempo, perguntei a uma amiga, que voltava de um longo passeio pelo bosque, o que ela observara. ‘Nada de especial’, foi a resposta.”

“Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tato encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro. Na Primavera, toco os galhos das árvores, na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do Inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte,pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando
.”

Mais adiante, Helen Keller desenvolve o exercício de imaginar o que gostaria de ver, se pudesse enxergar ao menos três dias.

“No primeiro dia, gostaria de ver as pessoas. (...) Não sei o que olhar dentro do coração de um amigo pelas ‘janelas da alma’, os olhos. Só consigo ‘ver’ as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.” (vejam a foto)
“Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa, ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos.”

E Helen nos provoca:

“Será que já lhes ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês, que enxergam, não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?”

***

E agora pergunto eu: por onde andam os olhos e a sensibilidade dos repórteres de hoje, que não conseguem (naturalmente, com as devidas, porém raras exceções) captar dos seus entrevistados nada além do nome e da idade? Nem com a fala se preocupam, já que para o registro do que é dito existe o gravador.

E assim se perdem, para a narração, a beleza e a significância das entonações, das ênfases, das expressões, do ritmo, do estilo, da articulação entre falas e gestual, dos enlaces entre a pessoa e o ambiente.


Acordar a criatividade

Nas fantasias de Helen Keller, o segundo dia de visão seria dedicado à observação da natureza – em especial, o milagre da noite se transformando em dia, depois de, na véspera, ter rezado por um pôr de sol colorido. E visitaria museus, para “avaliar o mérito as linhas, da composição, da forma e da cor”. Iria também ao teatro, ao cinema, na esperança de ver “a figura fascinante de Hamlet”, ou “o tempestuoso Falstaff”, em cenários elizabetanos. E para captar em plenitude a graça de uma bailarina, que a cegueira só vagamente lhe permitia imaginar.
O terceiro dia seria passado no mundo do trabalho e dos negócios.

“A cidade seria o meu destino. Primeiro, numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre o seu dia a dia. (...) Tenho a certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres, movendo-se na multidão, deve ser uma cena espetacular.”

E termina assim a mensagem de Helen Keller:

“Eu que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que veem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos. Ouçam a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tato. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; gozem de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contato fornecidos pela natureza (...).”      


Este artigo na íntegra encontra-se no seguinte blog:http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=340

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Opinião: Pais devem ficar atentos ao material escolar exigido

Muitas escolas pedem a compra de objetos que serão pouco utilizados. Escolas deveriam ensinar a reciclar materiais.

Muito se tem dito sobre o material escolar usado pelas crianças. São várias as notícias sobre os exageros das escolas naquilo que pedem para poderem desenvolver seus projetos pedagógicos. Desconfianças pairam no ar. E os pais ficam perdidos no meio de tantos gastos com produtos que nem sempre são usados.
Em algumas instituições, o valor do material equivale a uma mensalidade, que no geral não é barata. Existem aquelas que cobram taxa de material sem explicar que a compra pode ser feita em outro lugar. Ou então, fazem parcerias com livrarias, não ficando explícito se é para facilitar a vida dos pais ou garantir algum bônus à escola pela indicação (nesse caso, o material deveria ser mais barato, pela quantidade que irá ser comprado de uma vez só).
As famílias acabam se sujeitando a esses pedidos (exigências?!), sem grandes questionamentos à escola. Parece que a instituição é soberana e sabe o que é melhor para cada um. Nem sempre as coisas são fáceis de mudar. Porém, deve-se sim questionar, como alguns materiais pedidos e o não aproveitamento do mesmo tipo que foi pouco usado no ano anterior como, por exemplo, um caderno de desenho.
Assim, além do custo alto da mensalidade, muitas coisas que não são baratas são adquiridas (um livro de matemática para o segundo ano do fundamental pode sair por R$ 80,00). Os pais vão comprando e, no final do ano, percebem que aquele livro caro, pouco foi usado.
Um lugar que deveria ser o de aprender a se virar na vida, torna-se um templo de consumo, onde não fica bem pechinchar ou questionar taxas cobradas. Inclusive, um lugar de aprender a reciclar.
É interessante como alguns se impressionam com materiais e atividades diferentes, que poucos benefícios concretos trazem para o desenvolvimento da criança. Veem nessas coisas um indicador de modernidade e inovação. É preciso atentar para isso de maneira reflexiva e questionadora. Muitas coisas só servem para florear.
As escolas têm projetos maravilhosos sobre reciclagem. Colocam lixos coloridos, ensinam as crianças a separar o que é de cada cor. Estabelecem lugares exclusivos para a dispensa de pilhas. Mas, na hora H, fica tudo no politicamente correto.
Reciclar e proteger o mundo tem que ser feito no dia a dia. Não há um momento especial. Por exemplo, uma escola pede em sua lista raspas de pneu e palha de milho colorida – algo que pode ser aproveitado em casa ou na comunidade. Muito provavelmente, serão usadas em aula de artes. E não é que existe esse material empacotado para ser comercializado?
Não tem sentido. Fazendo coro com o jornalista Chico Pinheiro, um dos que apresentou reportagem sobre o assunto no SPTV, a escola deve ensinar o aluno a reciclar, aproveitar e cuidar do consumismo.
Apesar de ser um espaço onde o pensar e o refletir sobre o mundo deveria ter lugar privilegiado, as coisas andam muito mal.
O mercado também não ajuda muito. A cotação desses materiais varia em torno de 163%. Tornou-se terra de ninguém, com pouca fiscalização.
As vezes, questiono para que serve o 13º salário dos trabalhadores do nosso país. Além de pagarem o IPVA e o IPTU com esse dinheiro, compram material escolar para os filhos.
Boa volta às aulas!



Ana Cássia Maturano 

Disponível em: 
http://g1.globo.com

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mudança

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!

***Texto de Clarice Lispector